Construir o futuro em conjunto através da formação de gestores de AMP: uma iniciativa sinérgica com foco na cogestão em Cabo Verde
- Alice Costa
- 13 de mai.
- 2 min de leitura

Entre os dias 7 e 9 de abril, a ilha de São Vicente tornou‑se o ponto de encontro de gestores, técnicas e técnicos de todo o país, unidos por um objetivo comum: reforçar a gestão das Áreas Marinhas Protegidas (AMP) em Cabo Verde. Ao longo de três dias intensivos, realizou-se a primeira de duas sessões presenciais do programa de formação destinado a gestores de AMP, no âmbito do Projeto PaMAR.
A iniciativa foi coordenada pela Fauna & Flora e financiada pelo Blue Action Fund, Oceans 5 e Arcadia, em estreita articulação com o projeto Gestão de Ameaças aos Ecossistemas Marinhos, do Ministério da Agricultura e Ambiente, coordenado pela Direção Nacional do Ambiente (DNA) e cofinanciado pela Conservation International – GEF Agency/UNDP. A formação contou ainda com a colaboração do Projeto BLUE CONNECT, reforçando o caráter sinérgico desta iniciativa.
O encontro reuniu 30 participantes, maioritariamente mulheres, provenientes de 26 instituições diferentes, entre entidades públicas, organizações da sociedade civil e instituições de investigação. Representantes das nove ilhas habitadas de Cabo Verde trouxeram consigo experiências diversas, desafios comuns e uma forte vontade de aprender, partilhar e construir soluções em conjunto. Desde o primeiro dia, o ambiente foi marcado por abertura, diálogo e motivação, criando as condições para reflexões profundas sobre o presente e o futuro das AMP no país.
Esta primeira sessão presencial centrou‑se em temas fundamentais para uma gestão eficaz, participativa e adaptada à realidade cabo‑verdiana. Ao longo da formação, os participantes aprofundaram questões ligadas à governança das AMP e ao enquadramento estratégico, ao planeamento e à implementação da gestão, bem como à definição e ao zoneamento das áreas protegidas, reconhecidos como componentes‑chave para a sua eficácia. Um destaque especial foi dado à cogestão, um tema atual, desafiante e cada vez mais central no contexto nacional.
A formação foi conduzida por quatro formadoras com experiência reconhecida, que trouxeram perspetivas complementares e conhecimento técnico sólido. Patricia Rendall, da Fauna & Flora, apresentou o enquadramento geral das AMP e os princípios de governança; Debora Gutierrez, da Universidade dos Açores, trabalhou o tema da cogestão; Helena Calado, também da Universidade dos Açores, aprofundou a cogestão e a abordagem ao zoneamento; e Katelene Delgado, da Fauna & Flora, trouxe o tema da resiliência climática na gestão das AMP. Para além das sessões teóricas, a formação apostou fortemente numa abordagem prática e participativa, com exercícios de grupo em sala e atividades de campo na zona ventosa de São Pedro, permitindo ligar a teoria à realidade no terreno.
As discussões ganharam um significado ainda maior por terem ocorrido num momento particularmente importante para o país, logo após a entrada em vigor do Decreto‑Lei n.º 25/2026, de 6 de abril, que estabelece o novo modelo de cogestão das áreas protegidas em Cabo Verde. Este enquadramento legal recente reforçou o sentimento de que os participantes estavam envolvidos num processo histórico de mudança na forma de gerir e proteger o património natural marinho.
O forte compromisso, a energia positiva e a motivação demonstrada pelos participantes, vindos de todas as ilhas habitadas, tornaram esta formação não só relevante, mas também inspiradora e transformadora. Ficou claro que existe vontade, capacidade e entusiasmo para avançar, de forma conjunta, rumo a uma cogestão mais inclusiva, eficaz e alinhada com a realidade de Cabo Verde.
Créditos fotográficos: Alice Costa










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